Toque do Mentor

Levantamento no voleibol: da técnica à leitura de jogo

RESPOSTA RÁPIDA

O levantamento no voleibol é a ação que prepara a bola para o ataque, normalmente no segundo contato da equipe. Sua qualidade envolve direção, altura e tempo, de acordo com a condição do passe e com o jogador que vai atacar.

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O passe se afasta da rede. Você corre para chegar na bola, o atacante já começa a se preparar e o bloqueio do outro lado está acompanhando a jogada. Nessa hora, a qualidade do levantamento depende de como você chega, do controle que consegue ter e da bola que escolhe entregar.

No trabalho de Ricardinho e Fernanda, a preparação começa antes das mãos: base, pernas, posicionamento. Você precisa chegar em condição de levantar tanto no passe bom quanto na bola afastada — e ainda considerar quem vai atacar e o que o bloqueio está mostrando.

Aqui, o foco é o levantamento de toque, da preparação do corpo à escolha da bola.

Por onde você quer começar?

Como chegar à bola com condição de levantar

Sua bola ficou curta. Antes de tentar corrigir só a mão, olha como você chegou: deu tempo de organizar o corpo? A bola ficou numa posição em que você conseguia finalizar? O erro que aparece na trajetória pode ter começado no deslocamento.

Comece pela chegada: organize os apoios, mantenha os joelhos disponíveis para o movimento e prepare as mãos acima da testa. Polegares e indicadores ajudam a reconhecer a formação do toque. O contato precisa acontecer numa posição em que você consiga controlar e direcionar a bola, sem deixá-la cair para depois tentar salvá-la só com os dedos.

Ricardinho usa a imagem do Chifre de Unicórnio para lembrar o contato alto em relação à cabeça. A metáfora ajuda a guardar uma referência; o que você precisa conferir na execução é se chega a tempo e consegue entregar a bola com controle. Primeiro organize esse encontro. Depois acrescente deslocamento, direção e suspensão.

Se você espera a bola chegar para depois preparar as mãos, já começa atrasado. Prepare o gesto enquanto vai ao encontro dela.

Um exercício ajuda a perceber isso: deixe a bola quicar, entre debaixo dela e observe como chegou. No começo, pode segurá-la para conferir a base e a formação das mãos. Depois, diminua a pausa até conseguir executar o toque.

Essa pausa pertence ao educativo. Durante a jogada, a bola não pode ser retida e lançada; ela precisa rebater no contato. Fonte: FIVB, regra 9.2.2.

Se ainda está difícil fazer tudo junto, vá mais devagar. Confira uma coisa de cada vez: a chegada, a base, as mãos. Aumente a dificuldade quando conseguir repetir o movimento.

A base precisa acompanhar o deslocamento

É comum executar bem um toque parado e perder o controle assim que a bola exige um passo para trás. Esse deslocamento também precisa ser treinado.

Para os movimentos curtos, Ricardinho usa a comparação com a Movimentação Esgrima. Pensa na base de quem avança e recua sem perder a condição de reagir. Essa é a ideia a guardar: deslocar-se e continuar preparado para jogar a bola. Comece devagar. Se a base desmonta, reduz o deslocamento, organiza e faz de novo.

No passe que vem um pouco atrás, você precisa ajustar o corpo e direcionar a bola. Se o exercício sempre entrega a bola exatamente na sua mão, essa dificuldade não aparece no treino.

Peça a alguém lançamentos que exijam pequenos ajustes para frente e para trás. Observe a base e a direção da bola. Se perde a organização, diminua o deslocamento e confira onde ela começa a se desfazer.

Depois, trabalhe a entrada e a saída de rede. Olhando da sua quadra para a rede, a entrada fica à esquerda e a saída, à direita.

Outra referência de Ricardinho é o Braço da Mira, associada ao braço direito na direção e na finalização. Para observar o resultado, compare o destino escolhido com o lugar em que a bola chegou. Se o alvo muda, confira como você organizou o corpo para entregar para aquele lado. O braço faz parte do gesto inteiro; preparar a base e chegar à bola continuam sendo necessários.

O passe muda a bola que você pode entregar

O passe veio mais perto da rede ou estourou para o fundo? Você conseguiu chegar equilibrado? A resposta muda a bola que pode entregar.

Alterne duas situações no treino: uma bola B em que ainda há condição de trabalhar alguma velocidade e uma bola C mais afastada. É esse o sentido das letras neste exercício. Combine a classificação com seu treinador; ela não substitui a observação da bola.

Passe B e a possibilidade de acelerar

Na bola B desse exercício, um salto leve pode ajudar a buscar velocidade, se você tiver condição de executar. Ajuste o tempo com o atacante: não adianta acelerar uma bola que ele não consegue acompanhar.

Passe C e a condição de ataque

Quando o passe estoura e chega a bola C, chega primeiro. Organiza a base, finaliza o movimento e dá altura e conforto para o atacante. Se ele vai enfrentar um bloqueio triplo, uma opção trabalhada nesse exercício é deixar a bola um pouco mais para dentro da quadra, com condição para atacar.

Situação do exercícioO que observarAjuste do levantamento
Passe B com possibilidade de acelerarChegada do levantador e condição do atacanteSalto leve e velocidade compatível com aquela bola
Passe C mais afastadoEquilíbrio para executar e condição de ataqueOrganizar a base, finalizar e dar altura ao atacante

Essa comparação descreve o exercício. Não há obrigação de saltar em toda bola B ou de resolver toda bola C do mesmo jeito.

O passe dá uma condição; você ainda precisa considerar sua chegada e quem vai receber o levantamento.

Varie também a origem: peça lançamentos das zonas 1, 6 e 5, no fundo da quadra. Depois acrescente o passador. Quando o gesto já está mais organizado, crie um pouco de dificuldade. A ideia de treinar fora da condição perfeita aparece na expressão usada por Ricardinho, o desconforto vai te trazer o conforto. Aqui, isso significa acrescentar variação com controle, para reconhecer no treino a dificuldade que também aparece no jogo.

Como Ricardinho ajustava o jogo para centrais diferentes

Ao explicar a P3, a rotação com o levantador na posição 3, Ricardinho descreve como a escolha da bola mudava conforme o central que jogava com ele.

Rodrigão e André Heller pegavam a bola muito alta. Com eles, Ricardinho gostava de trabalhar um tempo esquerdo mais aberto. Além de combinar com a característica dos atacantes, essa escolha permitia observar se o central adversário acompanhava a jogada.

Com Gustavo, a característica era outra: ele gostava de bolas mais próximas. As alternativas incluíam um tempo atrás ou uma bola à frente, de acordo com a organização. A entrega considerava o que aquele atacante gostava de jogar.

Eram escolhas de Ricardinho com aqueles jogadores, em uma organização específica. A parceria entre quem distribui e quem ataca também aparece no artigo sobre o central no voleibol.

No seu time, comece conhecendo quem vai atacar com você.

No treino, confira se o atacante chega no tempo da bola e consegue finalizar. Converse com ele, teste a alteração e observe se o ajuste continua funcionando quando o passe muda. Acertar a direção não basta para saber se a bola ficou boa para aquele jogador.

O bloqueio adversário entra na sua decisão

Uma preocupação aparece nas escolhas de Ricardinho: o que o central adversário está fazendo? Acompanha o central do seu time? Como se posiciona diante das outras opções de ataque? Essa reação ajuda o levantador a escolher a distribuição.

Na P6, com o levantador na posição 6 do rodízio, Ricardinho gostava de dividir as opções de ataque em blocos, distribuindo os jogadores em regiões diferentes. Entre as alternativas estavam bolas rápidas com o central e a pipe, o ataque que vem do fundo da quadra pela região central.

Essa organização ajudava a enxergar a reação do central adversário. Uma combinação mais básica também pode funcionar. Para situar essas passagens na ordem de origem, consulte o mapa do rodízio 5x1.

Uma combinação preparada antes do saque precisa continuar possível depois da recepção.

Na situação de passe B que estamos trabalhando, olhe o bloqueio se tiver condição. Se a bola estourou e você está correndo para alcançá-la, cuide da chegada, da base e da altura. A escolha precisa caber na bola que veio.

O que muda no levantamento em suspensão

No levantamento em suspensão, você toca na bola enquanto está no ar. Esse recurso permite encontrá-la mais alto e pode ajudar a acelerar o jogo. Mas o salto precisa estar ajustado à chegada da bola e ao tempo do atacante.

Coordenar a chegada e o encontro com a bola

Comece percebendo o momento de ir ao encontro da bola. Em um educativo, deixe a bola quicar e entre para encontrá-la no alto. A intenção é coordenar sua entrada com a trajetória, antes de exigir o toque completo.

Acrescente o controle até chegar ao toque em suspensão, mantendo esse encontro enquanto prepara as mãos e direciona o levantamento.

Reconhecer o salto antecipado

Se você salta antes da hora, pode acabar tocando na bola quando já está descendo. Observe seu treino de lado: em que momento você saiu do chão e em que momento encontrou a bola? Se o contato aconteceu na descida, confira se antecipou o salto naquela tentativa.

Trabalhe a coordenação antes de aumentar a velocidade. Na bola mais afastada, levantar com apoio no chão e dar altura ao atacante também precisa fazer parte das suas opções.

Uma progressão de treino para ligar o toque ao jogo

Ricardinho relata que o paredão teve um papel importante na sua aprendizagem de toque, manchete, ataque e controle de bola. A parede permite repetir o gesto e observar o que acontece com a bola a cada tentativa.

A sequência abaixo reúne esses elementos em uma proposta editorial da Equipe R17 para levar o controle até o jogo. Avance quando conseguir manter o objetivo da etapa; se o movimento se perder, volte e ajuste.

  1. Reconhecer a posição de contato. Com um lançamento simples, observe a chegada, a preparação das mãos e o contato acima da testa. Se estiver no educativo de iniciação, use a pausa para conferir o gesto antes de progredir para o toque.
  2. Controlar a bola na parede. Escolha uma referência de direção e trabalhe com uma distância que permita controle. Se estiver difícil, aproxime-se. Varie a altura conforme conseguir manter o controle.
  3. Acrescentar deslocamento. Trabalhe pequenos avanços e recuos, mantendo atenção à base e à preparação das mãos. A chegada passa a fazer parte do exercício.
  4. Levantar para a entrada e para a saída. Com um parceiro lançando a bola, pratique a direção e a finalização para os dois lados. Observe onde a bola chega, em vez de avaliar apenas como ela saiu da mão.
  5. Variar a condição do passe. Alterne a origem e a distância da bola, incluindo as situações B e C. Ajuste a execução e a trajetória para preservar uma condição de ataque.
  6. Colocar a escolha dentro da jogada. Acrescente atacantes, bloqueio e continuidade. Agora você precisa reconhecer as opções, distribuir e participar da ação seguinte.

Seu professor ou treinador pode ajustar essa sequência ao grupo e retomar uma etapa quando necessário. O guia de treino de vôlei desenvolve os critérios para organizar uma sessão e avaliar a continuidade.

O que conferir quando o levantamento não funciona

Escolha um ponto para observar com seu professor ou treinador.

O mesmo erro de trajetória pode ter causas diferentes; a tabela indica o que investigar, não um diagnóstico automático.

Dificuldade observadaO que conferirPróximo passo no treino
A bola fica curta depois do deslocamentoSe você chega com base e condição de finalizarSimplificar o lançamento e comparar o toque parado com o toque após um pequeno ajuste
O controle desaparece ao recuarEm que momento a base se desorganizaRetomar avanços e recuos curtos antes de encadear a sequência
O atacante não encontra o tempo da bolaA relação entre trajetória, velocidade e chegada deleCombinar um ajuste com o atacante e observar a tentativa seguinte
Você toca na bola já descendoO momento do salto em relação à trajetóriaRetomar o educativo de encontro com a bola e observar a execução de lado
O passe se afasta e o ataque perde condiçãoSe você insiste na velocidade da bola anteriorTrabalhar chegada, finalização e altura nas situações mais afastadas

Anote em que situação a dificuldade aparece. Depois confira se o ajuste funciona no jogo, além da bola lançada diretamente na mão.

Outros jogadores também precisam levantar

O levantador fez a defesa. Quem vai levantar agora? Um atacante ou o líbero pode assumir a bola, conforme a organização da equipe e quem tem condição de chegar.

Treine a sequência: o levantador defende, outro jogador assume a segunda bola e a equipe continua o ataque. Essa responsabilidade precisa ser praticada por todos.

Com o líbero, há uma condição de regra a considerar: se ele faz um toque de dedos por cima na zona de ataque, um companheiro não pode completar o ataque com a bola inteiramente acima do bordo superior da rede. Se o líbero executa a mesma ação fora dessa zona, essa restrição não se aplica. Fonte: FIVB, regra 19.3.1.4.

O guia de regras do voleibol explica outras condições de contato, ataque e atuação do líbero.

Combine quem assume a segunda bola e como avisa os companheiros. Depois de levantar, continue na jogada: há ataque, cobertura e reorganização.

FAQ — perguntas frequentes sobre levantamento

Qual é a diferença entre toque e levantamento?

O toque é um gesto técnico. O levantamento é a ação que prepara a bola para o ataque e pode ser feito de toque ou de manchete, conforme a situação. Já o levantador é o jogador responsável por organizar e distribuir o ataque; executar um levantamento não significa exercer essa função na equipe.

Quais são os tipos de levantamento no vôlei?

Os nomes descrevem características que podem se combinar: contato de toque ou manchete; direção para frente ou para trás; execução com apoio no chão ou em suspensão; trajetória alta ou rápida. Um levantamento para trás também pode ser feito em suspensão. Por isso, identifique qual característica está sendo descrita, em vez de tratar todos os nomes como alternativas excludentes. No treino, combine direção, trajetória e momento do encontro com o atacante. A nomenclatura sozinha não garante que os dois estejam esperando a mesma entrega.

Fontes e referências

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