O levantador sai do fundo, chega perto da rede e salta. Ele pode levantar? Pode mandar a segunda bola para o outro lado? Pode tentar bloquear se o adversário devolver?
O lugar onde você enxerga o jogador naquele instante não responde tudo. É preciso conhecer sua posição na rotação e observar a ação que ele executou. Entender a regra desse jeito ajuda muito mais do que decorar uma lista de proibições.
Este guia trata do voleibol de quadra e usa como base as Regras Oficiais FIVB 2025–2028. Competições podem adotar regulamentos específicos. Os testes anunciados para eventos de 2026 estão separados ao final; não devem ser aplicados automaticamente a qualquer campeonato.
Por onde começar: pontos e sets, contatos, rodízio, ações na rede ou testes de 2026.
Como funcionam os pontos e os sets
Cada rally concluído produz um ponto. No formato oficial habitual, os quatro primeiros sets vão a 25, e o quinto vai a 15; todos exigem dois pontos de vantagem. Ganha a partida quem vence três sets.
Na prática, chegar ao número de referência não basta se a diferença ainda for de um ponto. Em 24 a 24, um ponto faz 25 a 24 e o set continua. Mais um ponto da mesma equipe fecha em 26 a 24. Se o adversário empata, a disputa segue.
Não há um tempo fixo para terminar o set. Por isso, olhar só o relógio não mostra quanto falta. O placar, os sets já vencidos e a diferença entre as equipes é que explicam a situação.
Quando a bola vale dentro
A linha faz parte da quadra. Se uma parte da bola toca o chão sobre a linha, ela é dentro. Uma bola perto da linha, porém sem contato com ela, não fica dentro por estar “quase” no campo.
Para observar um lance, procure o contato da bola com o chão. O ângulo da câmera e a sombra podem enganar. A reação do jogador também não é critério de arbitragem.
Três contatos: entenda o que entra na conta
A equipe pode usar até três contatos para devolver a bola. No voleibol de quadra, o toque de bloqueio não entra nessa contagem. Não é obrigatório usar os três: uma devolução legal pode acontecer antes.
Veja uma sequência simples. A bola toca o bloqueio, um defensor a controla, o levantador prepara e o atacante envia ao outro lado. São três contatos da equipe depois do bloqueio. A jogada não vira falta de quatro toques por somar o bloqueio da mesma maneira.
Agora compare com outra situação: um jogador recebe, outro levanta, um terceiro apenas ajeita e um quarto devolve. Sem uma exceção aplicável, a equipe ultrapassou seu limite.
Toque e manchete não são obrigações de cada contato
Receber de manchete e levantar de toque são soluções comuns. O regulamento não transforma essa sequência em obrigação. A bola pode tocar qualquer parte do corpo, desde que a ação seja legal.
Se uma defesa exige o pé, a questão não é se o gesto parece bonito. Observe se houve contato permitido, quantos contatos a equipe já utilizou e se a jogada continua dentro dos demais limites.
A regra define o que é permitido. A técnica ajuda você a fazer isso com controle.
Dois toques e condução exigem olhar o contexto
Uma bola não pode ser agarrada ou lançada. Já a análise de contatos sucessivos tem exceções, como o primeiro contato da equipe em uma única ação e a ação de bloqueio. Não use a frase “encostou duas vezes, é sempre falta” para explicar todos os lances.
Também não confunda uma bola girando com prova suficiente de infração. É a ação de contato que precisa ser julgada. Em 2026, a FIVB voltou a tratar da interpretação do segundo contato de levantamento; veja a seção de atualização abaixo.
Para melhorar a execução, leia o guia de levantamento. Aprender o contato e compreender sua arbitragem são trabalhos complementares.
O que conferir no saque
O saque coloca a bola em jogo a partir da zona de saque, após autorização do árbitro. O servidor deve respeitar a ordem da equipe e o limite de oito segundos após o apito. No contato, ou na impulsão do saque em salto, não pode pisar na linha de fundo nem na quadra.
O ponto importante no saque em salto é distinguir a impulsão da aterrissagem. Saltar legalmente atrás da linha e depois cair dentro da quadra não é a mesma situação que pisar na linha antes de se impulsionar.
Se a bola toca a rede e passa legalmente para a quadra adversária, o rally continua. O toque na rede, sozinho, não manda repetir o saque.
Uma forma de organizar a rotina é conferir três coisas antes de executar: sou o sacador da vez, estou na zona correta e recebi autorização? Depois vem a decisão técnica sobre alvo e trajetória, detalhada no artigo de saque.
Rodízio, posição e movimentação são coisas diferentes
Quando a equipe que recebia vence o rally e conquista o saque, faz uma rotação no sentido horário. Ganhar um ponto enquanto já estava sacando não provoca outro rodízio.
Esse é um bom ponto de partida para quem se perde: primeiro identifique de quem era o saque. Só depois pergunte se a equipe precisa rodar.
A ordem não obriga todo mundo a ficar parado no mesmo lugar
A ordem de rotação preserva as relações entre os jogadores e a sequência de saque. A movimentação para receber, levantar, atacar ou defender organiza o trabalho durante o rally.
Pela base do livro 2025–2028, a equipe que recebe deve estar na ordem correta no contato do saque; a equipe sacadora tem liberdade de posicionamento, respeitando as demais condições. Os testes de 2026 alteram o momento de referência para a recepção nas competições abrangidas.
Não tente resolver uma possível falta olhando apenas para a cabeça ou para o ombro de dois jogadores. A regra considera os apoios dos pés e relações específicas de posição. O mapa do rodízio 5x1 explica essas relações sem confundir formação de recepção com posição de ataque.
Ataque de fundo, bloqueio e contato com a rede
O jogador de fundo pode chegar perto da rede
Chegar perto da rede para levantar é permitido. A restrição aparece quando um jogador de fundo completa um ataque a partir da zona da frente com a bola inteiramente acima do bordo superior da rede. Para atacar nessas condições de altura vindo do fundo, a impulsão precisa ocorrer atrás da linha de ataque, sem pisá-la; a aterrissagem pode ser à frente.
Volte ao exemplo da abertura. O levantador pode se deslocar do fundo e preparar a bola perto da rede. Mas não ganha, por esse deslocamento, as mesmas possibilidades de um jogador de rede. Antes de tentar uma segunda bola ofensiva, precisa considerar sua condição na rotação.
O bloqueio tem limites próprios
Jogadores de fundo não podem completar um bloqueio nem participar de um bloqueio completado. Também é proibido bloquear o saque adversário.
Isso ajuda a entender por que contar apenas quantas pessoas saltaram pode ser insuficiente. A arbitragem examina quem participou, a ação realizada e o contato. Para o treino, a consequência é simples: saiba sua condição antes de se aproximar da rede para bloquear.
Nem todo toque na rede é julgado do mesmo jeito
O contato com a rede entre as antenas durante a ação de jogar a bola caracteriza falta. A ação inclui etapas como impulsão, tentativa e aterrissagem. Fora dessa situação, ainda é preciso avaliar eventual interferência.
Não transforme isso em “pode encostar à vontade se não tocar na bola”. Um atleta pode estar na ação de jogá-la mesmo quando não consegue alcançá-la. Também não avalie uma invasão apenas pela impressão de que o corpo passou perto do outro lado: apoio, espaço e interferência são elementos diferentes.
Antes de discutir o lance, identifique o fato: quem agiu, de onde veio e em que momento ocorreu o contato.
Por que o líbero precisa de atenção especial
O líbero substitui jogadores de fundo e tem restrições específicas. Pela regra FIVB, não saca, não bloqueia nem tenta bloquear. Há ainda uma condição importante quando faz um passe de toque com os dedos na zona da frente: um companheiro não pode completar um ataque com a bola inteiramente acima da rede vindo desse passe.
Isso não proíbe todo levantamento do líbero. O lugar e a forma do contato é que precisam ser considerados. O time deve treinar a solução, porque o levantador pode fazer a primeira defesa e deixar o segundo contato para outra pessoa.
É mais útil combinar quem assume essa bola e como do que descobrir a limitação no meio da partida.
Regras 2025–2028 e testes de 2026: o que não misturar
Em fevereiro de 2026, a FIVB anunciou testes para a Liga das Nações, o Mundial Sub-17 e os Campeonatos Continentais daquele ano. Entre eles estão mudanças na referência de posicionamento da recepção, no número de substituições e em situações de contato da bola com o teto.
Na recepção, o anúncio prevê ordem correta no apito e liberação da movimentação a partir do início do movimento de saque. O comunicado também trata da tolerância ao contato duplo no segundo contato de levantamento, quando a bola permanece do mesmo lado, descrevendo isso como interpretação sem necessidade de mudar a regra.
Esses contextos precisam acompanhar qualquer explicação sobre o assunto. Um vídeo de uma competição com testes não basta para concluir que todas as regras mudaram em toda parte. Consulte o regulamento do evento e a comunicação oficial da FIVB.
FAQ — dúvidas sobre as regras do voleibol
Quantos pedidos de tempo cada equipe pode fazer?
Pela base FIVB 2025–2028, cada equipe pode pedir até dois tempos por set, com duração de 30 segundos. O regulamento admite ajustes de duração aprovados para determinadas competições. O pedido ocorre com a bola fora de jogo e antes do apito para o saque; não interrompe um rally em andamento.
As regras são iguais em campeonatos escolares e recreativos?
Esses eventos podem adotar adaptações de formato, altura de rede, participação e outros procedimentos. Antes de jogar, peça o regulamento da competição. Não presuma que uma combinação usada na escola vale em um torneio oficial, nem que uma adaptação local seja uma mudança da FIVB.
Fontes e referências
- FIVB — Regras Oficiais 2025–2028: documento normativo para consulta; regras 1, 6–15 e 19. As situações explicativas deste artigo são exemplos editoriais, não pareceres sobre lances filmados.
- FIVB — comunicado dos testes de 2026: escopo das experiências e interpretação de contato duplo no levantamento.

